sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ambição ou Ganância?

Queria saber a diferença entre ambição e ganância e encontrei no site da Época Negócios a resposta em uma entrevista que dá um exemplo perfeito.


“Ambição é diferente de ganância”


Sonia Hess (52), presidente da Dudalina, fabricante de camisas, decidiu parar a empresa durante um mês para ajudar as vítimas das enchentes em Santa Catarina.


"Nasci numa família de 16 filhos. A principal característica de crescer em um lar numeroso é que você precisa buscar seu espaço desde cedo. Fui praticamente mãe dos meus irmãos mais novos. Só passei a ter um quarto próprio quando fui morar sozinha, aos 21 anos. Minha mãe foi uma empreendedora nata. No casamento, ela era a razão e o meu pai, a emoção. Mas mesmo sendo uma mulher ocupada, fazia questão de ter momentos somente nossos. Todas as noites ela nos colocava para dormir. Para fazer aquela quantidade de crianças terem sono, ela nos pedia para rezar o terço. Na segunda ave-maria, estava todo mundo dormindo. Aos 18 anos, botei meus pés pela primeira vez num avião e fui para a Espanha estudar técnicas de gestão de empresa de roupas. Tive de aprender até como costurar e eu não tinha nenhuma habilidade para isso. Mas entendi que precisava dominar a cadeia completa do negócio se quisesse um dia estar à frente dele. A cidade onde uma de nossas fábricas está ins­talada, Luis Alves-SC, ficou completamente debaixo d’água durante a enchente de novembro/08. Diante da situação, emprestei para o hospital o nosso gerador. Perdemos um mês de produção, mas em nenhum momento questionei se seria a coisa certa a fazer. Tinha de fazer o que estava ao meu alcance, mesmo que isso prejudicasse os negócios. Sempre tive ambição, mas nunca fui gananciosa. A ganância é o pior sentimento que alguém pode ter. Uma de minhas funcionárias perdeu um filho de oito meses e muitos deles viram familiares sumindo de um dia para o outro nas enchentes. Colocamos psicólogos à disposição para ampará-los. As tragédias mostram que ninguém está acima dos outros – todos nós somos vulneráveis. Quando comecei o relacionamento com meu atual marido, herdei três filhas, de 10, 11 e 14 anos. De uma hora para outra, precisei administrar três quase adolescentes dentro de casa. Tínhamos diferenças grandes e, para me inserir no mundo delas, exercitei uma qualidade importante para a minha vida, e inclusive para os negócios: a paciência. As meninas, hoje já adultas, são como se fossem minhas filhas de verdade. Tenho muito prazer em trabalhar. Mas da sexta-feira à noite até a segunda-feira de manhã ninguém me encontra para falar de trabalho. Os fins de semana são dedicados à família e aos amigos. Não tenho nem internet em casa. Procuro buscar um equilíbrio entre vida profissional e pessoal. A perda de minha mãe foi muito difícil porque sempre tivemos uma relação muito próxima. Pelo menos uma vez por semana almoçávamos juntas. Sinto uma falta física, irreparável. Mas entendo que ela esteja aqui de algum modo. “Afinal, pratico seus ensinamentos todos os dias”.

2 comentários:

GEOGRAFIA-DANDO A VOLTA AO MUNDO disse...

Rui,

Foi a forma mais direta e forte que já li para dar significado a estes dois termos.
O texto, parece dizer muito sobre o autor que gosta muito de APRENDER POR AI. Sem contar que o texto nos dá a esperança de que tudo poderia ser melhor, se existissem mais pessoas como esta empresária, que por coincidência tem meu nome.
Sônia Nacif

Guara disse...

Bom dia mestre Rui,
Em toda minha tragetória como consultor financeiro, nome chique que inventei pra disfarçar minha ex-profissão de bancário, pude constatar a desmedida ganância de grande parte do empresariado.
Teríamos uma sociedade mais justa e solidária se o exemplo que você divulgou fosse seguido pela classe dos que tem mais, que inconscientes continuam a prática deste pecado capital.
Obrigado pelo comentário no meu Blog. O incentivo foi de muito valor para continuar melhorando.
Aliás, quando vai me mandar um exemplar do seu segundo livro?
Sucesso e um grande abraço.