sexta-feira, 16 de julho de 2010

Que mundo sem graça

Este mundo está sem graça!

Nada mais me surpreende. Tudo está à nossa mão. Celular, internet, GPS, interatividade, digital, plasma. Na prática mais conhecimento, rapidez, qualidade e segurança nas informações.

Onde está a graça?

Já teve um tempo em que se buscava o saber, em que era difícil conquistar, em que o conhecimento tinha valor, em que se buscava desvendar mistérios, havia segredos, a criatividade era exercida e tudo era reconhecido.

Hoje mais vale o ter. Eu não preciso saber, pois quando necessito uma informação, acesso o Google. Está tudo lá.

Era prazeroso aguardar o nascimento do filho para saber seu sexo.

Bons tempos aqueles em que eu tinha que ir ao vizinho as sextas-feiras para assistir ao “Telecatch Montilla”.

Bons tempos aqueles em que eu contava aos amigos que havia comprado “na banca” a revista POP e eles morriam de inveja. Eu sabia que havia uma cidade chamada Paraty e que em suas ruas perambulavam hippies, artistas plásticos e mochileiros, que eu tinha lido naquela revista e meus amigos não entendiam como eu conseguia isso. Eu tinha lido sobre um tal “Trem da Morte” na Bolívia. Passado alguns anos fui conferir tudo. Indescritível o sabor desses momentos.

Bons tempos aqueles em que eu trocava cartões postais com gente de outros lugares do mundo.

A satisfação em descobrir no Almanaque Abril um novo país com povo excêntrico era algo mágico.

A vida hoje está imensamente melhor que algum tempo atrás, mas está sem graça.

Bons aqueles tempos em que eu acompanhava pelo radinho de pilhas, o Festival Internacional da Canção. Lembro quando falei a um amigo sobre uma bela canção que Romuald havia cantado no festival. Ele representava Andorra. Meu amigo não acompanhou o raciocínio: “Romuald”, “Andorra”, “Festival”... Eu tinha poder, eu tinha conhecimento.

Sem graça este mundo de hoje, não tem nem festivais!

2 comentários:

Lucemary disse...

Não sei como vim parar no seu blog, confesso.
Li o post e a primeira pergunta foi: "telecath? Me lembro disso...".
A segunda impressão foi de alguém que não gosta da velocidade da informação, que não gostou da "massificação" dos meios de comunicação, outrora artigos de luxo para poucos... aí, pra me certificar, vou ler mais sobre você. Já gostei do "chato de galochas". E gostei do blog do Rui Morel. E derrubei por terra primeira e segunda impressões. Agora não tenho nenhuma - a não ser que gosto do seu jeito de escrever.
:)

Rui Morel Carneiro disse...

Lucimary, muito obrigado por tão gentis palavras.